Alguns Costumes Yorubá


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O Hábito de abrir cicatrizes no rosto.

Antiga prática muito difundida entre os Yorubá, hoje em dia já não é tão comum, pois com o desenvolvimento cultural e tecnológico perdeu a finalidade, e tende a desaparecer por completo.
A origem deste costume foi na Nigéria Ocidental (povo Yorubá), devido à grande quantidade de guerras que havia na região. Os fulani estavam sempre em guerra com os Yorubá, e as próprias cidades guerreavam entre si. No meio de uma batalha uma pessoa poderia matar alguém do seu próprio grupo. Já com as marcas no rosto a identificação tornou-se bem mais fácil, e só eram mortos ou aprisionados como escravos aqueles com marcas diferentes, ou os que não tinham marca alguma.
Outro motivo para as marcas era que os escravos, quando não tinham marcas, levavam no rosto a marca do seu dono.
Os grupos familiares também costumavam marcar o rosto para facilitar a identificação de pessoas da mesma família, ao se encontrarem fora da cidade.
Finalmente, algumas pessoas se achavam mais bonitas com cicatrizes no rosto, para “estar na moda”.
Atualmente os ijebú e os ijesá deixaram de colocar no rosto dos recém-nascidos. Em Ondo são feitas marcas somente no rosto do primogénito, enquanto em Oyo existem famílias que fazem as cicatrizes até hoje.
Tudo indica que as “curas” feitas nos filhos de santo foram originadas nesse costume, pois servem também como identificação das pessoas de Candomblé.

Beleza do corpo

Antigamente as mulheres iorubá gostavam de embelezar o corpo com tintas e cortes.
Para fazer desenhos no rosto e partes visíveis do corpo era usada a seiva de uma árvore chamada bùje. O nome dessa pintura é ínábùje, e demora muito a sair da pele.
Outros produtos vegetais bastante usados eram o òsùn (tinta vermelha extraída de uma planta) e o lààlì (planta que também dá coloração vermelha, tipo henna). O òsùn era usado nas festas de casamento, nascimento e posse do rei. Nessas ocasiões encontravam-se mulheres pintadas com òsùn dos pés à cabeça, pois achavam que isso as tornava mais bonitas.
Ao dar à luz as mulheres costumavam embelezar seu corpo e o da criança com òsùn. Uma esposa nova na casa também costumava pintar os pés com òsùn à noite, ao deitar, para ficar bonita.

O uso de lààlì é um costume haussá, trazido para a região dos iorubá pelos muçulmanos. A folha era misturada com kanun. As mulheres pintavam os pés e as unhas das mãos e pés, deixando descansar por algumas horas. Depois lavavam o local, e ele ficava cor-de-rosa.
Uma das coisas de que os Yorubá mais gostavam eram as marcas. Muitas mulheres faziam cortes no rosto, testa, barriga, costas e até nas nádegas. No rosto usavam uma agulha, e no corpo uma lâmina, colocando no corte um líquido chamado oye dúdú, que fazia com que as cicatrizes ficassem pretas.
Atualmente esse costume está praticamente extinto. Os católicos e os muçulmanos, por exemplo, não o adotam.

Outra forma muito comum de embelezar o corpo era furar as orelhas, nariz ou lábios. Logo ao nascer um bebê do sexo feminino, a mãe furava as orelhas para colocar brincos que, em certas regiões como sul de Benue, terra dos tapa e haussá, eram pedaços de coral, sendo preciso furos bem grandes. Nos lábios e nariz eram usados anéis ou um pedaço grosso de coral.
Destes hábitos, o único que ainda permanece é o de furar as orelhas.
Aqui, mais uma vez, vemos que é uma herança Yorubá o costume de pintar os iyawo com produtos naturais (waji, òsùn, etc.) para a festa da saída do seu Orixá.

~ por Candomblé em Portugal - Ilé Asé Omim Ogún em Maio 23, 2016.

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