Candomblé em portugal: Trabalho de Antropologia, sob o tema “A religião Candomblé-Ketu em Portugal e a sua influência na prática de Enfermagem”, realizado por estudantes da Escola Superior de Enfermagem, no Ilé Asè Omin Ògún (5ºPost)


Continuamos a publicar os documentos desenvolvidos pelo grupo de estudo da Escola Superior de Enfermagem que visitou o Ilé Asè Omin Ògún, com intuito de presenciar “in loco” um Siré de Candomblé – Nação Ketu, de forma a observarem os trabalhos, efectuando assim o seu trabalho para a deisciplina de Antropologia e Sociologia.

Continuaremos a publicar desta vez, o trabalho escrito, mais exactamente, a Observação Etnográfica levada a cabo:

Religião: Candomblé

Morada: Alameda Guerra Junqueiro, 34 – Laranjeiro – Almada.

Loja – Casa de Ògún

Dia: 21 de Janeiro de 2011

Hora da observação: 15h30min – 16h30min

Nome dos estudantes: Inês Melo, Paula Esteves, Tatiana Marques e Teresa Meireles

Reunião com os representantes de Candomblé

Após um prévio contacto via correio electrónico ao qual obtivemos imediatamente resposta, os representantes de Candomblé marcaram uma reunião com o propósito de nos conhecerem e saberem quais as nossas intenções, esta serviu para nos concederem autorização para assistir a uma cerimónia e nos dizerem qual o local de culto para darmos continuação ao nosso trabalho de observação etnográfica, pois esta cerimónia é realizada à porta fechada e só assiste quem é convidado.

Esta reunião ficou agendada para as 15h30min como foi referido. Chegando ao local, meia hora mais cedo, deparamo-nos com o facto de ser uma loja de venda de produtos esotéricos. O nome desta é Casa de Ògún.

À entrada existe um balcão de atendimento do lado esquerdo onde está um senhor que nos confirma a hora da reunião pondo-nos à vontade enquanto esperávamos por esta.

A loja está dividida por dois pisos, no rés-do-chão existem variadíssimos produtos para venda e no piso de cima reparamos em algumas pessoas que por lá andam e trabalham.

No rés-do-chão todas as paredes estão cobertas de máscaras africanas de variadíssimas formas e tamanhos, as paredes que não têm máscaras encontram-se revestidas de prateleiras onde se encontram os mais diversos produtos esotéricos para venda.

À entrada, do lado direito, existem inúmeras peças de bijuterias, desde colares, de missangas de todas as cores e de imensas pedras, peças para colocar na cabeça, com penas, búzios e conchas de perder de vista, anéis e pulseiras de todos estes materiais.

Seguindo pelo lado direito e indo até à parede final encontram-se velas com cores, dimensões e cheiros variados, as quais tinham diversos nomes e funções, ou seja, havia velas para namorados, velas de amarração, velas para a amizade, para o sucesso no trabalho, entre muitas outras. Existiam mesmo velas para todos os Orísás (Santos) com as suas respectivas formas.

Todo o local estava envolvido numa imensidão de cheiros, devido a estas misturas das velas e também de vários incensos que queimavam e outros que estavam para venda, tal como referido para as velas, existiam incensos de camomila, baunilha, alfazema, menta, canela, jasmim entre tantos outros.

Do lado esquerdo da loja, depois do balcão, existem dois modelos, um feminino, vestido com uma saia branca rodada, camisola branca rendada, ambas com um tecido leve e com um pano enrolado à volta da cabeça, também ele branco e volumoso, o modelo masculino está vestido com umas calças largas brancas do mesmo tecido, com uma túnica maioritariamente azul e com outras misturas de cores e com um género de chapéu na cabeça com variadíssimas cores. Ambos os modelos têm ao pescoço inúmeros colares de missangas e outros materiais, alguns parecem madeira, com várias cores.

Por trás destes modelos, existem umas prateleiras com produtos que nos fazem lembrar a natureza parecendo ser raízes de árvores, folhas, cascas de tronco de árvores e pedras.

À hora certa o senhor da entrada mandou-nos subir pois os representantes da religião de Candomblé já nos podiam receber.

Subindo as escadas, existe uma varanda que permite a observação de toda a loja, no centro da varanda existe uma mesa grande na qual trabalham uma senhora e um senhor, parecendo estar a confeccionar roupa, pois toda a mesa estava coberta de tecidos.

Ao pé da mesa, brinca no chão uma menina, que nos recebeu com simpatia.

Do lado esquerdo após subir as escadas, existe uma porta, que dá acesso ao gabinete onde decorreu a reunião. O gabinete, não muito grande, mas muito acolhedor, está repleto de um cheiro que não conseguimos decifrar. No centro do gabinete existe uma secretária com duas cadeiras de um lado e por trás delas uma janela com vista para o exterior, e quatro do outro e do lado direito perto de uma janela, que permita a vista para o interior da loja, existe outra secretária onde está um computador ligado. No chão perto desta secretária existe um pequeno pano preto aveludado com quatro búzios e uma vela que queimava. Por trás das quatro cadeiras, logo do lado direito da porta existe um imponente armário e do lado esquerdo da porta uma pequena mesa redonda, decorada com uma toalha bordada e com pequenas pedras e outros materiais que não identificámos. Existe, tal como no rés-do-chão da loja, algumas máscaras africanas que decoram as paredes, dois certificados emoldurados por trás da porta e também algumas esculturas africanas que decoram alguns cantos do dito gabinete.

Neste gabinete receberam-nos dois senhores, que se encontravam vestidos de calças de ganga e um de camisa de manga comprida branca aos quadrados azuis e o outro de t-shirt preta e de casaco desportivo azul-escuro. Ambos têm colares ao pescoço, do género de colares que existem nos modelos na loja, e têm também uns grandes anéis.

Recebem-nos com grande simpatia e convidam-nos a sentar, apresentam-se e dizem o que são e qual a sua função. Sendo que um se apresenta como Babálórísá Jomar e outro como Babálórísá Paulo, são como que Presidente e vice-Presidente, respectivamente. Após as nossas apresentações eles explicam-nos o porque da reunião e que a religião que representam para eles é algo de muito sagrado e que por isso nem todos podem assistir às cerimónias e que têm de passar por uma espécie de aprovação da parte deles. Depois de tirarem as respectivas opiniões sobre nós concedem-nos a dita autorização e convidam-nos a assistir á cerimónia de dia 28 de Janeiro pelas 18h30min. Após estas formalidades, abrem-se connosco e explicam-nos no que consiste a religião de Candomblé, qual o valor da mesma para eles e referem alguns aspectos sobre a mesma que acham relevantes.

~ por Candomblé em Portugal - Ilé Asé Omim Ogún em Abril 11, 2012.

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