Candomblé em Portugal – Sincretismo: Tolerância ou Intolerância?


Referimo-nos a sincretismo, quando são associadas duas ou mais religiões num um único culto, com as suas simbologias misturadas.No caso do candomblé, e reportando à época dos negros escravos das senzalas em terras de Vera Cruz, foram associadas imagens de Santos Católicos aos Orìsás Africanos. Existe uma explicação única para tal associação: a necessidade de camuflar a religião original, de forma a ser possível ao Povo Africano continuar a cultuar os seus  Santos, mesmo se, efectuando uma correspondência entre as energias das entidades.  Ou seja, foi a intolerância religiosa do povo colonizador, que obrigou o povo colonizado a criar subterfúgios e estratagemas para manter a sua religiosidade viva.

Com o passar dos anos, continuámos a ouvir relatos de intolerância com as religiões Afro-Brasileiras, vinda de vários quadrantes da sociedade, quer fosse ela Brasileira ou europeia. Todos conhecemos histórias de terreiros destruídos, sacerdotes ameaçados, sirès interrompidos, entre outras atrocidades contra o livre arbítrio e liberdade religiosa concedidos por Deus.

O chamado Povo de Santo, tem resistido estoicamente a todas estas afrontas. Tem continuado a perpetuar o culto aos Orìsás e a lealdade a Olorum, mantendo o respeito pelas crenças de quem os afronta. É neste aspecto que se tem distinguido dos demais. No entanto, uma corrente tem surgido ultimamente que tende a alterar um pouco estes predicados. Uma estranha intolerância contra o sincretismo religioso está nascer no seio da comunidade de Candomblé. Na realidade, é um facto que Ògún não é S. Jorge! Um é um Deus nascido em África, negro e que nunca matou nenhum dragão; o outro nasceu na Capadócia é branco e ele sim, matou um dragão. Oyá também não é Sta. Barbara e assim sucessivamente.

Mas, não nos podemos esquecer que foi este mesmo sincretismo que possibilitou que o Candomblé, consequentemente a umbanda e todas as religiões Afro-Brasileiras chegassem aos nossos dias. E é este mesmo sincretismo que tem permitido que muitos dos actuais membros do Povo de Santo, tenham perdido o receio de integrar estas religiões, servindo de ponte de transição entre a sua educação religiosa tradicional e a realidade da mitologia Yorubá.

É importante compreender que, adeptos de uma corrente religiosa historicamente atacada e discriminada, não se tornem, eles próprios discriminadores e intolerantes.

Principalmente contra uma prática que lhes permitiu existir, actualmente, como seres espirituais.

Talvez seja possível encontrar um meio termo, até porque o objectivo é comum: louvar a Deus.

~ por Candomblé em Portugal - Ilé Asé Omim Ogún em Janeiro 6, 2012.

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