YÀ OLGA DE ALAKETU: VERTICAL, HUMANA E ECUMÉNICA


No final do século XVIII, durante a expansão do Daomé sobre o Reino de Ketu, no reinado de Akibiohu, duas netas do rei foram sequestradas e vendidas como escravas na Bahia. Uma delas era Otampê Ojarô que, depois de nove anos a trabalhar como empregada doméstica, já livre,
teria fundado o terreiro Alaketu em Salvador.
Mãe Olga de Alaketu ou Olga Francisca Régis pertencia à quinta geração da família real africana, Olga herdou o terreiro ainda aos 12 anos de idade, e ajudou a eleva-lo à condição de património histórico da Bahia.
Filha de Yansan e Iroko, Mãe Olga de Alaketu, foi iniciada no Candomblé aos 12 anos de idade no Ilé Asè Maroiáláji ,de acordo com os costumes africanos.Muito antes da sua iniciação, trabalhava com bordados, pintura e tecelagem.
Chegada aos 79 anos, a grande Yalorisa passa os seus conhecimentos a filhos, netos e bisnetos.
Mãe Olga de Alaketu, sempre disse que em paralelo ao Candomblé, teve uma criação Católica e que sempre frequentou a igreja. Disse ter sido baptizada, crismada, seguindo assim os passos de uma tia que tinha sido criada num convento. Mãe Olga teve doze filhos biológicos, que sempre acompanharam a mãe nas tarefas do Candomblé e cresceram seguindo a religião. Ainda crianças, foram iniciados e todos os que estão vivos, ocupando cargos no terreiro.
Explicava que a relação com eles, dentro do Asè, é de acordo com as regras africanas. Em casa tinham obrigações com os estudos e com o trabalho. No Candomblé, esta grande Mãe de Santo, dizia que não existia diferença na maneira de amar e tratar os filhos biológicos e os filhos de santo. Dizia, que uma “Yàlórísá ou Bábálórísá deve ter tanto amor pelos filhos de Santo como por aqueles gerados biologicamente”! Comentava ainda muitas vezes, que pedia sempre a Deus por todos eles, para que tivessem saúde, paz e prosperidade em qualquer lugar.
Mãe Olga comentava que tinha sido rigorosa com a educação dos seus filhos, pois dizia que: “O dever de um filho é obediência e respeito ao pai”; temia ainda por certos valores que se estariam a perderem actualmente.
Outra vez comentou: “A violência é cada vez maior. Não se deve privar a diversão, mas é preciso saber para onde eles vão…” e como desejo continuava: “Peço que
tenham fé em Deus e nos Orísàs (Orixas).
O Seu Ilê localizado no alto de uma colina, no bairro de Brotas, em Salvador, o terreiro Ilê Maroiá Láji é mais conhecido como Alaketu, nome referente à sua origem Nigeriana. Foi tombado em Dezembro de 2004. Na solenidade de tombamento, Mãe Olga, aos 79 anos,
revelou o nome de sua sucessora – sua filha mais velha, já que a Casa segue a sucessão matriarcal.”Mãe Olga acreditava que o Alaketu durará para sempre.” Ela sempre resistiu à ideia do tombamento do seu terreiro, temendo uma descaracterização que pudesse advir da excessiva frequência de turistas, a partir da movimentação que ela percebia nos outros terreiros, que já haviam sido tombados em Salvador; muitos dos quais acordando as datas de suas festas religiosas com a Secretaria de Turismo da cidade. “Yá Olga dizia que não queria tombar para que o terreiro dela não virasse o Pelourinho”, referindo-se ao Centro Histórico de Salvador, cujo projecto de revitalização despertou polémicas na medida em que teria privilegiado o comércio e o turismo em detrimento da população local. A impossibilidade de arcar com os recursos necessários para a reforma da casa e do barracão que constituem o terreiro fizeram com que Mãe Olga revisse a sua posição a respeito do tombamento, preocupada com a preservação e a continuidade do Ilé Asè MaroiáLáji.
Tinha muitos amigos influentes, frequentavam a sua casa escritores como Jorge Amado e Zélia Gattai, o etnólogo Pierre Verger, os artistas plásticos Carybé e Mário Cravo Júnior, a cantora Maria Betânia e o cantor ministro Gilberto Gil.

~ por Candomblé em Portugal - Ilé Asé Omim Ogún em Novembro 15, 2011.

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